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Palavra do Pastor

Dom José Antonio Aparecido Tosi Marques, Arcebispo Metropolitano de Fortaleza

11 de out de 2016

[Artigo] Nossa Senhora Aparecida, Surpresa da Misericórdia Divina

Pe. Rafhael Silva Maciel
Reitor do Seminário Propedêutico de Fortaleza
Missionário da Misericórdia

Celebramos com muita alegria a festa da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Celebramos a festa de uma Mãe de ternura e de misericórdia. Sim, porque o encontro da imagem da Virgem Maria nas águas do Rio Paraíba, que se deu em duas ocasiões, é o encontro de um povo com algo proveniente do mistério de Deus.


Aqueles pobres pescadores estavam em busca do seu sustento; estavam no trabalho que não produzia o quanto eles desejavam ou pelo menos o que eles necessitavam. O Papa Francisco falando sobre Aparecida diz que “no início do evento que é Aparecida, está a busca dos pescadores pobres. Tanta fome e poucos recursos. (...) Possuem um barco frágil, inadequado; têm redes decadentes, talvez mesmo danificadas, insuficientes. Primeiro, há a labuta, talvez o cansaço, pela pesca, mas o resultado é escasso: um falimento, um insucesso. Apesar dos esforços, as redes estão vazias” (Discurso, 27/07/2013, Rio de Janeiro).

Celebramos com muita alegria a festa da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Celebramos a festa de uma Mãe de ternura e de misericórdia. Sim, porque o encontro da imagem da Virgem Maria nas águas do Rio Paraíba, que se deu em duas ocasiões, é o encontro de um povo com algo proveniente do mistério de Deus.

Aqueles pobres pescadores estavam em busca do seu sustento; estavam no trabalho que não produzia o quanto eles desejavam ou pelo menos o que eles necessitavam. O Papa Francisco falando sobre Aparecida diz que “no início do evento que é Aparecida, está a busca dos pescadores pobres. Tanta fome e poucos recursos. (...) Possuem um barco frágil, inadequado; têm redes decadentes, talvez mesmo danificadas, insuficientes. Primeiro, há a labuta, talvez o cansaço, pela pesca, mas o resultado é escasso: um falimento, um insucesso. Apesar dos esforços, as redes estão vazias” (Discurso, 27/07/2013, Rio de Janeiro).

O achado da Imagem de Aparecida segue a lógica do mistério da Encarnação do Verbo: Ele vem ao nosso encontro, ele vem em direção aos sofrimentos do seu povo (Jo 1,14; Fl 2,6-7). Nas águas do Paraíba, veio com sua Mãe, como foi às Bodas de Caná e ali realiza o milagre. Por isso Aparecida é manifestação da presença divina; como diz o Papa Francisco, Aparecida é criatividade do Amor de Deus que de algum modo quer mostra-se próximo do seu povo.

Que meio de estar mais próximo e com a ternura que o povo precisa pode ser mais doce e misericordioso do que o simbolismo da mãe que coloca o filho no colo e acalma suas angústias. Por isso, a Mãe Aparecida, em sua festa, lembra-nos que é preciso, assim como seu Filho Jesus Cristo, sairmos de nós mesmos e irmos ao encontro dos irmãos, dos mais necessitados.

E nesse encontro sermos para eles uma surpresa de Deus. Surpresa de Deus que se manifestará na graça de Deus agindo em nós e por nós, surpresa de Deus que se manifestará na simplicidade do encontro, na simplicidade do modo de estar com os outros – como reconheceu Isabel na visita de Maria (Lc 1,39ss). Ainda a surpresa de Deus se manifestará quando encontrarmos com aqueles que o próprio Senhor colocar em nosso caminho, sem que esperássemos.

A festa de Nossa Senhora Aparecida quer lembrar para todos nós que é necessário sair de nossas comodidades e ir ao encontro; sair de nossas certezas para o desconhecido das águas desse mundo pelas quais o Senhor nos faz navegar. Aparecida torna-se, então, sinônimo de SAÍDA DE SÍ, torna-se antônimo de EGOÍSMO. Com Maria, “a Igreja se sente discípula e missionária desse Amor : missionária somente enquanto discípula, isto é capaz de deixar-se sempre atrair, com renovado enlevo, por Deus que nos amou e nos ama por primeiro (1Jo 4,10)”
(Bento XVI, Homilia, 13/05/2007, Aparecida, SP).

Assim sendo, que a Virgem Mãe Aparecida faça de nós imagens da surpresa de Deus, como foi ela mesma foi surpresa de Deus para o povo brasileiro no Rio Paraíba.

Fonte: Projeto Igreja em Saída 

7 de out de 2016

Marcha pela Vida – Marcha da Misericórdia - Padre Rafhael Silva Maciel

No próximo dia 08 de outubro realizamos em Fortaleza mais uma edição da Marcha pela Vida contra o aborto. Sem dúvida um evento com uma mensagem forte que se alarga para além das individualidades de confissões religiosas e sociais. A defesa da vida sempre esteve em pauta nas mais variadas culturas e sociedades. Mas, neste caso específico, saindo do discurso genérico, adentra-se em um tema peculiar: a vida desde a concepção, desde o ventre materno.


Existem muitos defensores da prática do aborto, da morte da pessoa que está sendo gestada no ventre da sua mãe. A Marcha pela Vida, que tem edições em centenas de Cidades no mundo, quer ser um alerta principalmente na luta contra a aprovação de leis iníquas em diversas partes do mundo. Vale a pena lembrar o que falou Bento XVI sobre questões ligadas ao Estado, no ano 2010, a um grupo de Bispos brasileiros: “quando os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas”.

Isso não vale apenas para os representantes da Igreja Católica, na verdade a exortação de Bento XVI é para todas as pessoas de boa vontade, que reconhecem o direito natural e inegável à vida. Longe das querelas políticas e tendo em conta a legítima e sadia separação entre Igreja e Estado, proclamada por Cristo quando declarou  “‘dai a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é Deus’, não significa de maneira alguma que a moral oriunda da lei natural possa ser relativizada no campo político”. O Catecismo da Igreja Católica, no número 1903 afirma que “se acontecer de os dirigentes promulgarem leis injustas ou tomarem medidas contrárias à ordem moral, estas disposições não poderão obrigar as consciências”. E aqui emerge a situação da objeção de consciência, que profissionais leigos cristãos, ou mesmo não cristão, podem trazer em seu favor e das vítimas do aborto, as crianças e as mães.

Aqui vale lembrar que a luta contra o aborto é ao mesmo tempo a luta pela vida da mãe da criança; uma vez que as sequelas físicas e psicológicas marcam a vida da mulher com uma força tão grande que leva a traumas quase incuráveis. É bem isso o que diz o Papa Francisco na Carta a Dom Rino Fisichella por ocasião do Jubileu da Misericórdia:

“Um dos graves problemas do nosso tempo é certamente a alterada relação com a vida. Uma mentalidade muito difundida já fez perder a necessária sensibilidade pessoal e social pelo acolhimento de uma nova vida. O drama do aborto é vivido por alguns com uma consciência superficial, quase sem se dar conta do gravíssimo mal que um gesto semelhante comporta. Muitos outros, ao contrário, mesmo vivendo este momento como uma derrota, julgam que não têm outro caminho a percorrer. Penso, de maneira particular, em todas as mulheres que recorreram ao aborto. Conheço bem os condicionamentos que as levaram a tomar esta decisão. Sei que é um drama existencial e moral. Encontrei muitas mulheres que traziam no seu coração a cicatriz causada por esta escolha sofrida e dolorosa. O que aconteceu é profundamente injusto; contudo, só a sua verdadeira compreensão pode impedir que se perca a esperança”.

Neste ano de 2016 o tema da Marcha pela Vida em Fortaleza está exatamente em consonância com o pensamento do Papa Francisco: “Amamos a vida da mamãe e do bebê”. Como diz a professora Lenise Garcia: “o aborto não elimina a angústia da mãe, mas a perpetua para o restante da vida. por isso, depressão e pensamentos suicidas são mais frequentes em mulheres que já fizerem o aborto”. Por isso o cuidado paterno e materno que o Papa Francisco tem pedido na acolhida de tais mulheres.
Dirá ainda o Papa Francisco, na Exortação Evangelii Gaudium, n. 214: “E precisamente porque é uma questão que mexe com a coerência interna da nossa mensagem sobre o valor da pessoa humana, não se deve esperar que a Igreja altere a sua posição sobre esta questão. A propósito, quero ser completamente honesto. Este não é um assunto sujeito a supostas reformas ou ‘modernizações’. Não é opção progressista pretender resolver os problemas, eliminando uma vida humana”.

Deste modo, na Marcha pela Vida, colocamo-nos como Missionários da Misericórdia ao anunciar o valor incondicional da vida em todas as suas fases. Misericórdia que é tão propagada por muitas bocas, mas que na verdade é esquecida na hora de optar por uma vida que não merece ser tirada, porque é a mais indefesa possível. Infelizmente há muitos governos contrários à vida, que se fazem coniventes com todo o tipo de ação perversa e imoral. Ponhamo-nos a escuta da voz de profetas dos nossos tempos. Dizia Sta. Teresa de Calcutá: “Eis porque o aborto é um pecado tão grave. Não somente se mata a vida, mas nos colocamos mais alto do que Deus; os homens decidem quem deve viver e quem deve morrer”. E de São Francisco: “Senhor fazei de mim um instrumento de vossa paz”, paz que começa quando a vida é respeitada e defendida.

Padre Raphael Silva Maciel é reitor do Seminário Propedêutico de Fortaleza  e missionário da Misericórdia.

Fique ligado - Jubileu 16